08 Out 2026 - 10:55h

Varejo da Região Metropolitana do Vale do Paraíba deverá gerar até 1.500 empregos em outubro e novembro


O último trimestre de 2026 começa, com o mês outubro marcado pelo Dia das Crianças, data relevante principalmente para segmentos de brinquedos e de vestuário e artigos infantis. Após essa comemoração, o varejo concentra seus esforços na preparação para o fim do ano, período marcado pela maior sazonalidade das vendas, impulsionada, entre outros fatores, pelo pagamento do décimo terceiro salário, pela Black Friday, em novembro, e pelas compras de Natal, ao longo de dezembro.

O décimo terceiro salário mantém dezembro como o mês de maior faturamento do varejo, com faturamento bruto na RMVale 20% acima da média dos demais meses do mesmo ano. Segmentos como os de vestuário e calçados e os de eletrodomésticos e eletrônicos apresentam vendas com avanço sazonal até bem superior a este percentual neste período, também em comparação aos outros meses do ano. Esse aumento da demanda, por sua vez, exige de muitos estabelecimentos o reforço da mão de obra.

Para 2026, projetamos que o varejo da Região, formada por 39 municípios, crie até 1.500 empregos com carteira assinada no período que antecede o mês de dezembro, isto é, avaliando o acumulado de outubro e novembro. Essa antecipação permite aos estabelecimentos planejar cada etapa da incorporação dos novos funcionários, desde a seleção e admissão até os treinamentos e demais rotinas de adaptação.

A tendência é que os estabelecimentos que comercializam vestuário, calçados, artigos de viagem e acessórios concentrem cerca de 35% dessas novas vagas. Já os estabelecimentos de gêneros alimentícios devem responder por aproximadamente 45% do total projetado. Além disso, considerando o histórico da movimentação de emprego celetista na divisão varejista da RMVale, estima-se que as ocupações com as maiores criações de vagas fiquem distribuídas principalmente entre:

- Vendedores: 600 empregos;

- Atendentes: 450 empregos;

- Operadores de caixa: 150 empregos;

- Repositores: 100 empregos;

- Outras ocupações: 200 empregos.

Também é importante ressaltar que a projeção para outubro e novembro considera exclusivamente as atividades varejistas. A estimativa não engloba os segmentos do comércio atacadista, de veículos ou peças, além dos diversos ramos de prestação de serviços, como bares, restaurantes, serviços terceirizados de limpeza, segurança, entre outros.

Além disso, as projeções se referem aos empregos que efetivamente deverão ser gerados. Esse conceito é diferente do número de vagas anunciadas por estabelecimentos como ‘em aberto’, que costuma ser maior, mas nem sempre resulta em contratações efetivas, diante, inclusive, das dificuldades de disponibilidade de mão de obra.

Por fim, cabe ressaltar que as 1.500 vagas estimadas estão em um patamar abaixo do visto ano passado, quando praticamente 1.700 mil postos de trabalho foram gerados no varejo da região nos meses de outubro e novembro. Em verdade, caso a projeção se concretize, teríamos o menor saldo para o período da série, que se inicia em 2020. Essa desaceleração estimada na criação de novos postos de trabalho está relacionada ao próprio ritmo do setor, tanto em relação ao desempenho das vendas quanto ao comportamento do mercado de trabalho ao longo de 2026, que se mostra inferior ao observado anteriormente.

Nesse contexto, também não se pode deixar de considerar uma maior dificuldade das famílias em manter seu nível de consumo, especialmente um período de elevados níveis de endividamento e inadimplência, juros altos e crédito seletivo, bem como perda de poder de compra provocada por uma inflação acima da meta perseguida pelo Banco Central. A esse cenário se soma a forte concorrência enfrentada pelo varejo regional diante das plataformas de vendas on-line, muitas delas estrangeiras.

Para o Sincomercio São José dos Campos, este ambiente cauteloso certamente impactará o final de ano do varejo. O último trimestre continuará sendo o período de maiores oportunidades de negócios e de geração de empregos do setor, especialmente em outubro e novembro no caso do mercado de trabalho. Ainda assim, na comparação com o mesmo período do ano passado, a expectativa é de um desempenho mais fraco e, na melhor das hipóteses, próximo da estabilidade.

 

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