
O resultado do PIB do segundo trimestre de 2026 confirma o que o Sincomercio São José dos Campos vinha alertando: a economia brasileira continua avançando, mas em velocidade menor. O crescimento de 0,5% na passagem do primeiro para o segundo trimestre ficou abaixo da alta de 1,1% observada nos três primeiros meses do ano e reforça a expectativa de desaceleração da atividade ao longo de 2026.
Pela ótica da produção, o destaque positivo foi a agropecuária, que cresceu 2,8% no trimestre. A indústria apresentou expansão de apenas 0,1%, enquanto os Serviços cresceram 0,2%. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o PIB avançou 2,0%, com alta de 1,5% na indústria e de 1,5% nos serviços. Chamou atenção o aumento de 6,8% no agro.
Mais importante que o número geral, porém, é observar a composição desse crescimento. O consumo das famílias recuou 0,4% no segundo trimestre, depois de ter crescido 0,8% no primeiro. Como as famílias respondem por mais de 60% do PIB pela ótica da demanda, essa retração representa um dos principais sinais de perda de dinamismo no período.
O indicador tem importância especial para o comércio. O setor mantém contato direto com o consumidor e está entre os primeiros a sentir mudanças na disposição de compra. Movimentos relacionados à renda, ao crédito, ao endividamento e à confiança das famílias costumam aparecer rapidamente no comportamento das vendas. Nesse sentido, a redução do consumo das famílias reforça a preocupação com o ritmo da atividade. Não se trata de afirmar que o consumidor deixou de comprar, mas de reconhecer que sua capacidade de ampliar o consumo está mais limitada, o que reduz também o espaço para uma expansão mais forte do comércio.
Valor adicionado do comércio mostra acomodação
Um ponto que merece ser destacado na análise voltada aos empresários é o comportamento do valor adicionado do comércio, indicador que muitas vezes fica em segundo plano nas notícias sobre o PIB.
Na comparação com o primeiro trimestre, o comércio apresentou variação de 0,0% no segundo trimestre, depois de ter avançado 0,8% no início do ano. Em relação ao segundo trimestre de 2025, o crescimento foi de 0,9%, abaixo dos 1,0% registrados no primeiro trimestre e também inferior ao crescimento de 1,5% apresentado pelo conjunto dos Serviços.
O número mostra que o comércio entrou em uma fase de maior acomodação. Enquanto o PIB agregado ainda apresentou crescimento na margem, o setor comercial permaneceu estagnado, em um movimento coerente com a redução do consumo das famílias. Os juros elevados e os altos patamares de endividamento e inadimplência dos consumidores ajudam a justificar essa trajetória do setor.
A desaceleração também aparece na taxa acumulada em quatro trimestres. Até junho, a economia brasileira registrou crescimento de 1,9%, contra 2,0% até março e 2,3% ao final de 2025. O resultado está alinhado às expectativas de uma expansão mais moderada em 2026, após cinco anos de crescimento mais intenso.
A tendência é que o PIB encerre o ano com crescimento próximo de 2%, o que representaria a menor taxa anual desde 2020, primeiro ano da pandemia. Isso não significa que a economia esteja em recessão, mas evidencia que o ciclo atual é de desaceleração.
Por isso, o resultado do segundo trimestre deve ser interpretado como uma confirmação do cenário que já vinha sendo antecipado pelo Sincomercio São José dos Campos. A combinação de juros elevados, crédito mais caro, endividamento das famílias e menor capacidade de expansão do consumo continua impondo limites ao crescimento.
Para o empresário, acompanhar a conjuntura macroeconômica é fundamental. O comportamento do PIB, do consumo, do crédito, do emprego e da confiança permite identificar tendências antes que elas apareçam de forma mais evidente nos resultados das empresas e pode auxiliar decisões sobre estoques, investimentos, preços e planejamento.
Para os dois trimestres restantes de 2026, a perspectiva é de continuidade desse cenário, com pouca ou quase nenhuma mudança estrutural no ritmo da atividade. A economia deve seguir crescendo, porém em velocidade limitada, mantendo o comércio em um ambiente que exigirá atenção permanente à demanda e à eficiência da gestão.