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  • Jun

    25

    2026

A queda das temperaturas e as oportunidades ao varejo

Embora as previsões indiquem um inverno mais ameno neste ano, sobretudo no começo do 2º semestre, com a expectativa de atuação do El Niño, o frio segue como um fator sazonal conhecido (e relativamente previsível), que deve estar no planejamento das empresas. Vale lembrar que o inverno começa em junho, mês de Dia dos Namorados e Copa do Mundo, e que, historicamente, disputa com maio o posto de melhor mês de vendas do varejo da RMVale nos primeiros semestres.

Muitos varejistas erram ao concluir que um inverno menos frio significa falta de demanda. Na prática, o momento pede ajustes no mix, na comunicação e no ritmo de execução das lojas. Com temperaturas mais moderadas e ondas de frio mais curtas e pontuais, produtos de meia estação passam a ter mais destaque.

No vestuário, por exemplo, jaquetas leves, moletons, tricôs finos, calças mais confortáveis, pijamas, meias e conjuntos casuais podem girar mais do que itens típicos de frio intenso, como casacos pesados. Em calçados, tênis casuais, botas leves, sapatênis e modelos fechados tendem a ganhar espaço com a mudança de hábitos do consumidor. Em um cenário de compras mais criteriosas, influenciado pelo alto endividamento e pela inadimplência das famílias, o consumidor prioriza utilidade, versatilidade e uma percepção nítida de custo-benefício. Para o varejista, isso significa expor os produtos com mais objetividade, valorizando conforto, durabilidade, uso em diferentes ocasiões e a melhor relação entre preço e utilidade.

Em dias mais frios, ajustar vitrines, exposição interna e redes sociais é decisivo para converter mais. A comunicação precisa ser rápida e alinhada ao clima. Com cada frente fria prevista, o varejista deve antecipar ações digitais, reorganizar os pontos de maior circulação na loja e montar combinações prontas para simplificar a escolha. Em moda, “looks prontos” e kits promocionais ajudam a elevar o ticket médio. Em supermercados, aumenta a procura por chocolates, cafés, sopas, massas, vinhos, caldos, fondues e bebidas quentes. Em casa e decoração, ganham espaço mantas, tapetes, aromatizadores, velas, aquecedores portáteis e itens de conforto. Nas farmácias, crescem as vendas de hidratantes, vitaminas, antigripais, chás e produtos para cuidados respiratórios. Até itens como resistências de chuveiros, em lojas de materiais de construção e utilidades domésticas, tendem a ter maior demanda e merecem atenção.

Outro ponto: mesmo quando giram menos, alguns itens de inverno normalmente mantêm margens mais altas. Isso abre espaço para uma precificação mais estratégica, além de kits e ações de “compre junto”, aumentando o ticket médio mesmo com o consumo pressionado.

Além de planejar as ações para a estação, o Sincomercio São José dos Campos orienta os gestores a evitar excesso de estoque em itens muito específicos de frio intenso, reduzindo risco de encalhe, perda de capital de giro e liquidações agressivas nem sempre eficazes no fim do inverno. Quem acompanha a previsão do tempo diariamente e reage com agilidade às mudanças ganha vantagem competitiva, aproveitando janelas curtas de frio para impulsionar as vendas e aumentar o fluxo nos canais físico e digital.