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  • Jul

    10

    2025

Sobretaxas dos EUA a produtos brasileiros e os impactos na economia (e no varejo) local

No último dia 09 de julho (quarta-feira), o governo Donald Trump anunciou a sobretaxa de 50% a todos os produtos brasileiros que são exportados à economia americana, incluindo o Brasil a um rol de cerca de duas dezenas de outros países que sofrerão um aumento de tarifas às suas mercadorias, que entrará em vigor no próximo dia 01 de agosto.

Com este fato amplamente noticiado nas últimas horas e que perdurará ao menos aos próximos dias e semanas, o Sincomercio São José dos Campos/SP debruça-se a analisar quais os impactos regionais e nacionais que tal atitude do governo americano causará, especialmente quando focamos em nosso próprio comércio varejista local.

Neste sentido, o questionamento que fazemos é: Como essa imensa sobretaxação de produtos brasileiros impactará a nossa economia e o nosso comércio?

Do ponto de vista macro, é importante ressaltar que a decisão de Trump está longe de ser calcada por questões comerciais ou puramente econômicas, até porque a atualmente o Brasil possui um déficit comercial com os EUA, isto é, segundo dados acumulados apenas do primeiro semestre de 2025, importamos deles US$ 1,67 bilhões a mais do que exportamos, ou seja, a balança é positiva para os americanos.

Todavia, seja por fatores ideológicos, políticos ou de demais interesses daquele país (como os das grandes empresas de tecnologia), a sobretaxa em 50% para as exportações brasileiras deverá trazer impactos à economia doméstica especialmente via o câmbio. Para além das volatilidades imediatas da decisão (que deve desvalorizar ainda mais a atual taxa), havendo uma possível redução de comércio dentre os países, diminuirá também a oferta de dólar na nossa economia, causando encarecimento de tal moeda aqui, podendo impactar diretamente os preços de outros produtos importados e, consequentemente, a nossa própria inflação geral aos consumidores.

Além disso, tal sobretaxa será extremamente significativa às indústrias produtoras das principais mercadorias vendidas aos EUA, que inclusive em 2025 foram, respectivamente, as de óleo bruto de petróleo, produtos semiacabados de ferro ou aço, café não torrado e aeronaves e outros equipamentos. Caso não haja um retrocesso de tal sobretaxação e o comércio entre os países realmente sentir os efeitos negativos de tal decisão, as empresas exportadoras deste setor terão de buscar outros mercados, o que quase nunca é algo imediato e sem prejuízos. Restando a elas uma maior fragilidade econômico-financeira.

Especificamente para São José dos Campos/SP, a preocupação se calca tanto nos efeitos gerais no câmbio e nos preços domésticos, dado que todos temos o nosso orçamento e o caixa de nossa empresa ligados ao ritmo da atual conjuntura econômica, mas é muito além disso. A presença em nosso município (e em nossa região) de empresas que exportam ao EUA traz a preocupação futura com as suas performances, bem como consequente a isso o seu ritmo de empregabilidade e demais investimentos em plantas e equipamentos locais.

Para termos uma ideia numérica, os EUA são o principal destino das exportações joseenses, segundo o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Somente em 2025, de janeiro a junho, US$ 738,3 milhões foram exportados aos EUA (cerca de 90% são aeronaves ou partes de aeronaves), enquanto US$ 508,3 milhões foram importados. E temos de ficar de olho se o Brasil fará retaliações, dado que se também sobretaxar as mercadorias americanas em os mesmos 50%, são estes valores importados de lá por São José dos Campos/SP, que ficarão mais caros, por exemplo.

Em suma, é importante destacar que o Sincomercio São José dos Campos se mantém atento aos desdobramentos econômicos da “guerra comercial” em voga no mundo, advindas do Governo Trump. Tais desdobramentos possuem potencial para alterar razoavelmente a conjuntura macroeconômica brasileira, principalmente em câmbio e preços, ainda mais se este cenário sofrer uma escalada ainda maior.

Já na economia do nosso município, com grande força de espraiamento à outras cidades da Região Metropolitana do Vale do Paraíba, estaremos com o radar ligado quanto ao impacto em nossas indústrias exportadoras (e de outras empresas que as circundam), pois a sua performance sempre alterará os níveis locais de empregabilidade e de consumo da população economicamente ativa. E isso acaba chegando também ao comércio varejista, que é uma divisão econômica parte desta cadeia produtiva e dependente direto do ritmo de empregabilidade e consumo das famílias.