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Nov
26
2025
O desempenho do varejo regional no mês de novembro
O desempenho do varejo regional no mês de novembro
Novembro assumiu, ao longo da última década, um papel decisivo para o comércio varejista da Região Metropolitana do Vale do Paraíba. O mês consolidou-se como o segundo maior em faturamento bruto real desde 2016, resultado de uma combinação entre mudanças estruturais do consumo e, sobretudo, o fortalecimento da Black Friday, que deixou de ser um evento pontual para se tornar uma temporada mais completa de estímulo às vendas.
Para ilustrar melhor, em novembro de 2024 o varejo da RMVale apresentou um faturamento bruto real de R$6,48 bilhões, valor que só ficou atrás do registrado em dezembro, quando atingiu aproximadamente R$7,57 bilhões. Vale destacar que dois setores tiveram desempenho notável ao serem comparados com a média mensal dos dez primeiros meses daquele ano. Em 2024, por exemplo, as lojas de eletrodomésticos, eletrônicos e de departamento no Vale faturaram, em novembro, 32% a mais que a média mensal observada entre janeiro e outubro. Já o segmento de vestuário, tecidos e calçados teve o segundo maior crescimento, alcançando 20% acima da média dos meses anteriores.
Tal fato deixa claro que a economia regional, marcada por forte presença do comércio, serviços e polos industriais que irradiam renda para os municípios, encontra em novembro um período estratégico para reorganizar estoques, ampliar o giro financeiro e criar condições para um dezembro ainda mais robusto. Para muitos estabelecimentos, o mês tornou-se o verdadeiro início do ciclo de alta de fim de ano, antecipando demanda e atraindo consumidores que buscam preços mais competitivos.
Para além da tradicional injeção do décimo terceiro na economia, o fortalecimento da Black Friday desempenha papel central nesse processo. O evento, inicialmente concentrado no varejo virtual e em poucos dias, passou a ocupar praticamente todo o mês, impulsionando campanhas de marketing, aquecendo as vendas e reforçando a presença das lojas físicas como pontos de experiência e vendas.
Além disso, a presença de promoções intensificadas cria cada vez mais uma descentralização das vendas de Natal, dada a antecipação das compras de fim de ano. Com isso, aos poucos, os comerciantes passaram a profissionalizar estratégias, investir em atendimento e logística e aprimorar a integração digital, fatores que contribuíram para consolidar novembro como um mês de excelência no desempenho econômico.
Para 2025, infelizmente a tendência é que o varejo não performe tão bem em novembro, como em anos anteriores. E isso não é um privilégio da RMVale, mas sim uma tendência estadual e nacional, devido especialmente aos impactos dos juros altos no custo do crédito para pessoas físicas e jurídicas, além de níveis elevados de endividamento e inadimplência das famílias brasileiras, que limitam a renda destinada para novos consumos.
A despeito de confirmarmos que a boa sazonalidade de novembro se repetirá, sendo um mês mais forte que os dez meses anteriores, na média, a tendência é que a taxa de crescimento seja em torno dos 3% de avanço, até pela trajetória da própria performance do varejo regional, que acumula de janeiro a agosto um aumento de 7,4%, mas que nos últimos meses vem perdendo ritmo.
Para setores como de eletrodoméstico e eletrônicos e os de vestuário e calçados, as vendas podem alcançar até 5% de avanço, em uma ótica otimista. A esperança está em uma injeção maior do 13° salário na economia (somente em São José dos Campos se prevê um impacto de mais de R$ 1 bilhão com o 13° em 2025), até devido ao aumento da empregabilidade e também pelo fato que a primeira parcela desta renda adicional deverá ser paga até dia 28/11, que é quando ocorre efetivamente a Black Friday no país.